quinta-feira, 22 de julho de 2010

Repórter relata no Jornal O GLOBO que vem sendo vítima de homofobia

Publicado: julho 18, 2010 por Kiko Riaze em Direitos LGBT
Etiquetas: homofobia, preconceito, bullying
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Este é o meu Rio de Janeiro da controvérsia. Eleito ano passado o melhor destino gay do mundo, cidade da efervescência, do Carnaval libertino, da Farme de Amoedo – a rua “gay” de Ipanema, das antigas e consagradas boates LeBoy e 1140, das travestis da Lapa e do governo gay friendly que acaba de inaugurar o maior centro de apoio a LGBT’s do Brasil, o paraíso idealizado pelos gays de todo o país parece ser uma cidade muito liberal… Mas só parece.
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Assim como o resto do país, o Rio de Janeiro não é uma maravilha para os gays. Engana-se quem acha que o preconceito na Cidade Maravilhosa está restrito às comunidades carentes, às favelas e subúrbios. Lá ele apenas se mostra mais explícito, mas vai se ocultando à medida em que avança pelo asfalto e envenena, de forma velada, todas as classes da sociedade.
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Quem diria que o bucólico bairro da Urca, aos pés do Pão de Açúcar, raro lugar de classe alta onde a favelização carioca não chegou, poderia ser palco de bullying homofóbico?
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Mas tem sido de forma constante. Quem denuncia é o repórter Jefferson Lessa, do Jornal O Globo, que num artigo de uma página inteira da edição deste domingo (18/07/10), fez um desabafo aos leitores e assumiu sua sensação de impotência e medo diante do preconceito que vem sofrendo no bairro onde mora.
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… De um tempo para cá, por motivos que me são alheios, alguns playboys deram de gritar “veaaaaaado!!!” quando me veem na rua. Outro dia, derrubaram minha pasta no chão. Numa noite anterior, rolou um inesperado banho de uísque com Redbull no casaco novo… Depois disso, a calçada ficou mais longa que uma maratona. Chegar à varanda torna-se uma decisão pesada, difícil de tomar. A pasta, o cheiro do uísque com Redbull… Difícil.”
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É difícil realmente. Só quem já viveu isso na pele é que sabe. Eu sou um grandalhão de quase 1, 90 de altura, o tipo “discreto” como costumam dizer, mas tamanho não é documento. Quando era adolescente, lá pelos 17 ou 18 anos, eu sofri um caso parecido em Copacabana (sim, na liberal Copacabana!). Estava passeando na orla com um rapaz que eu namorava na época quando resolvemos sentar num banco para conversar. Não nos beijamos, nem trocamos carícias. Mas em determinado momento, por distração ou despreocupação por saber que a Praia de Copacabana era reduto de gays, eu pousei minha mão sobre a dele. Tudo bem discreto, mas o suficiente para sermos flagrados pelo olhar de um “pittboy” que já devia estar nos filmando de longe. Ele subiu a areia furioso e veio para cima de nós. Muito mais forte do que nós 2 – eu nem fazia musculação na época – ele conseguiu nos intimidar e nos expulsou da praia. O medo de um escândalo em público também foi fator para nos amedrontar. Lá na frente fomos abordados por uma hippie que viu tudo e nos orientou a tomar muito cuidado em Copacabana, pois apesar da fama do gayosque Rainbown, era um lugar que tinha muito “coió”. Foi a primeira vez que ouvi a palavra “coió” na minha vida – o bullying de hoje na gíria gay. E nunca mais esqueci.
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Por isso, me solidarizo com o repórter Jefferson Lessa, que me surpreendeu por ter dado a cara a tapas no maior jornal de circulação do Rio. Ele, assim como eu (com muito menos visibilidade, claro), tem a oportunidade de usar um meio de comunicação para gritar e denunciar. Mas quantos anônimos não têm e precisam confrontar esta situação em silêncio e sofrem por isso?
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Do mesmo modo que o Jefferson Lessa em seu artigo, termino citando a Argentina como um grande exemplo de tolerância e civilidade, com a aprovação recente do casamento gay, nas próprias palavras dele:
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Não sou idiota a ponto de acreditar que uma lei acabe, magicamente, com pré-conceitos acumulados ao longo de séculos e cevados à base de ódio à diferença. Mas é um primeiro passo para uma rotina mais amena no futuro.
Quando é que vamos dar este passo? Hein?”

1 comentários:

Renata Rimet disse...

Vivemos num país "da moda" ou "de fases",seja em defesa dos acometidos por problema genético, dos idosos negligenciados por suas famílias, das crianças de rua, das mulheres violentadas, dos homosexuais, transexuais, bisexuais, e já ia me esquecendo das cotas, das vítimas do trânsito, das vítimas de bala perdida, vítimas de erro médico... portanto o que me parece é que são tantas as fases que ao defender uma, abandona-se completamente a outra causa, negligencia-se toda uma gama de pessoas que precisam ser assistidas e respeitadas de forma integral e não exporadica, quando a moda voltar...
Se continuarmos a tratar o cidadão brasileiro dessa forma, não sei quantos ciclos mais vamos aguentar, talvez quando chegar a nossa vez, num próximo ciclo eu já não esteja mais aqui...
É preciso mais do que Leis em defesa deste ou daquele, é preciso educar, desde a mais tenra idade, assim não precisaremos mendigar o que é justo e direito de todo cidadão; Respeitar e ser Respeitado, todo o resto será consequência, independente da fase, da moda ou estação do ano...