quarta-feira, 5 de março de 2014

Reality Show Literário da França pode ter um escritor brasileiro

Valdeck Almeida de Jesus está concorrendo a uma vaga para o programa
Ascom: Galinha Pulando
ampliarFoto: Léo Ornelas
Valdeck Almeida de Jesus declamando no Sarau Erótico
Escritor Valdeck Almeida de Jesus concorre à Academia Balzac da França

Uma espécie de Reality Show na internet vai reunir 20 escritores em um castelo para escreverem um romance coletivo. O programa Academie Balzac é promovido pela editora francesa de autopublicação Leséditionsdu Net. A seleção dos candidatos se deu por inscrição direta pela rede mundial de computadores e os inscritos já estão em campanha por votos.
 
O poeta baiano Valdeck Almeida de Jesus é um dos concorrentes, cujo link é www.academiebalzac.fr/_baladeiro_.html, onde o internauta deve clicar em VOTEZ, apenas uma vez por dia. Cada pessoa pode votar quantas vezes desejar, se entrar em computadores diferentes ou em dias alternados. Antes de votar verificar se está escrito VOTEZ, pra não anular o voto anterior. Se estiver escrito JE RETIRE MON VOTE, não clique, isso signifca "Eu retiro meu voto". Os candidatos finais serão escolhidos por um júri e vão participar do evento que será transmitido de 1º a 23 de outubro de 2014, direto do castelo na França. Pode votar também no livro, nesse link aqui: http://www.academiebalzac.fr/spip.php?page=livre&id_livre=17484

A votação vai até final de agosto de 2014. Os mais votados serão escolhidos por um corpo de jurados e os dez selecionados para escreverem um livro em conjunto. Esles ficarão confinados na Academie Balzac, localizada no Castelo de Brillac, ao lado de Cognac, e serão vigiados 24 horas por câmeras. No dia 24 de outubro o romance deverá estar pronto para divulgação e publicação pela Edition du Net, editora francesa. Muitos incentivos para a escrita estarão no castelo como banheiras de hidromassagem, vinhos etc.


Valdeck Almeida de Jesus (1966) é jornalista, funcionário público, editor, escritor e poeta. Embaixador da Divine Académie Française des Arts, Lettres et Culture, Embaixador Universal da Paz, Membro da Academia de Letras do Brasil, Academia de Letras de Jequié, Academia de Cultura da Bahia, Academia de Letras de Teófilo Otoni, Academia Nevense de Letras, Ciências e Artes – ANELCA, Poetas del Mundo, Fala Escritor, Confraria dos Artistas e Poetas pela Paz, da União Brasileira de Escritores – UBE e União Baiana de Escritores - Ubesc. É presidente do Colegiado Setorial de Literatura para o biênio 2013/2014, junto à Fundação Cultural do Estado da Bahia, entidade ligada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Diretor Geral da União Baiana de Escritores – UBESC para o biênio 2013/2014. Publicou “Memorial do Inferno: a saga da família Almeida no Jardim do Éden”, “Feitiço contra o feiticeiro”, “Valdeck é Prosa e Vanise é Poesia”, “30 Anos de Poesia”, “Heartache Poems”, ”Yes, I am gay. So, what? – Alice in Wonderland”, “O MST e a Mídia: uma análise do discurso sobre o Movimento dos Sem Terra nos jornais A TARDE online e O Globo online” (co-autor: Jobson Santana), dentre outros, e participa de quase noventa antologias. Organiza e patrocina o Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Literatura, desde 2005, o qual já lançou mais de 1000 textos de poetas do Brasil, África, Portugal, Estados Unidos, Venezuela, Suíça, China, Japão e outros. Colabora com os sites Favas Contadas, Artigonal, Web Artigos, Recanto das Letras, Portal Literal, Portal Villas, Pravda, PodCultura, Overmundo, Dino, Dzaí, Difundir, Jornal do Brasil e Só Artigos. Tem textos divulgados nas rádios online Sol (Diadema-SP), Raiz Online (Portugal) e CBN (Globo). Site: www.galinhapulando.com
Foto: Léo Ornelas (Sarau Erótico)

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

XII Parlamento Nacional de Escritores da Colômbia abre inscrições




Nesta edição os homenageados são Julio Cortázar, Nicanor Parra, Marvel Luz Moreno Abello, Antonio Botero Palácio, Antonio Mora Vélez e o centenário da narrativa “Platero y Yo”.

O encontro de escritores acontece em Cartagena das Índias, de 13 a 16 de agosto de 2014, apresenta uma série de homenageados importantes, e inclui a celebração do centenário de “Platero y Yo”, centenário de nascimento do argentino Julio Cortázar, cem anos do poeta chileno Nicanor Parra, uma homenagem à escritora colombiana Marvel Luz Moreno Abello, e o reconhecimento internacional dos escritores Antonio Mora Vélez e Antonio Botero Palácio. Haverá, ainda, lançamentos de livros e leituras de contos e poemas.

Previamente ao Parlamento, serão realizadas Assembleias Preparatórias em algumas cidades da Colômbia, entre elas Magangué, Barranquilla e Montería, organizadas pelos Coordenadores locais, regionais e nacionais dirigidas especialmente a motivar a docentes, estudantes e intelectuais para que participem deste evento, conheçam e leiam literatura, especialmente aos escritores de sua região, tal como propõe o Ministério de Educação Nacional da Colômbia

Fundada em 2003 como um projeto emblemático da Associação de Escritores da Costa presidido pelo narrador Joce G. G. Daniels, o Parlamento, cujo nome original era Parlamento de Escritores e Intelectuais do Caribe, teve um rápido crescimento na aceitação e qualidade dos participantes, na medida em que se tornou um autêntico evento acadêmico literário de Cartagena com a mais alta qualidade e maior projeção, não só no Caribe colombiano, mas dentro e fora do país.
 
A presidência do encontro é honorária e cada Parlamento elege um presidente que instala o encontro e, juntamente com o presidente da Associação de Escritores preside conferências, palestras, debates e outros eventos paralelos ao evento. O XII Parlamento é presidido pelos poetas Gustavo Tatis Guerra, de Cartagena, e Fernando Cely Herran, de Bogotá.

O Parlamento de Escritores Colombianos, que este ano tem como destaque ser o Primeiro Encontro Iberoamericano, é a reunião anual dos escritores no qual se discute e analizam problemas da sociedade e, naturalmente, dos escritores, especialmente daqueles que vivem sob governos que censuram e amordaçam suas opiniões. Além disso, o parlamento propõe soluções e alternativas de literatura contra o descrédito gradual da ideologia e da política.

INSCRIÇÕES – Estão abertas de 14 de fevereiro a 30 de maio de 2014, para quem deseje assistir aos debates ou apresentar trabalhos, declamar ou ler poemas. Podem participar colombianos e estrangeiros. O regulamento da organização é participativo e democrático, com respeito aos direitos humanos e não discrimina com base em idade, sexo, nacionalidade, ideologia ou outra condição. O formulário de inscrição deve ser enviado completamente preenchido e assinado, e indicar um tema para apresentação: Platero y Yo, Julio Cortázar, Nicanor Parra, Marvel Luz Moreno Abello, Antonio Botero Palácio ou Antonio Mora Vélez. O trabalho deve obedecer às seguintes regras: pesquisa de qualidade, ineditismo, originalidade, inovação e ter entre 1500 a 2400 palavras.

Maiores informações no blog

Formulário de inscrições: prensaparlamentoescritores@gmail.com


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Poemas de Valdeck Almeida de Jesus no Happy Hour de Anand Rao

Poemas de Valdeck Almeida serão lidos no Happy Hour com  Anand Rao. Para assistir via web acesse www.ustream.tv e procure o canal Sarau do Anand Rao e pelo facebook acessar:www.facebook.com/saraudoanandrao, clique no curtir e no aplicativo Ustream Live, um U dentro de um quadrado azul e depois na tela da TV que vai aparecer.


Foto: Pós-Lida
VALDECK ALMEIDA DE JESUS (1966) é jornalista, escritor e poeta com mais de quinze livros publicados. Embaixador da Divine Académie Française des Arts, Lettres et Culture, Embaixador Universal da Paz, Membro da Academia de Letras do Brasil, Academia de Letras de Jequié, Academia de Cultura da Bahia, Academia de Letras de Teófilo Otoni, Academia Nevense de Letras, Ciências e Artes – ANELCA, Poetas del Mundo, Fala Escritor, Confraria dos Artistas e Poetas pela Paz, da União Brasileira de Escritores – UBE e União Baiana de Escritores - Ubesc. É presidente do Colegiado Setorial de Literatura para o biênio 2013/2014, junto à Fundação Cultural do Estado da Bahia, entidade ligada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Diretor Geral da União Baiana de Escritores – UBESC para o biênio 2013/2014.




Meu novo suicídio



Desnecessitando

de aprovação

me pergunto

quantas vezes

preciso morrer

no trabalho

na família

entre "artistas"

pela incompatibilidade

com a Terra

ou dela comigo

me pergunto

quantas concessões

renúncias

desistências

para ser aprovado

no vestibular

da minha morte

da minha negação



Tripé da Inquietude



Se todos têm razão

Se cada um realiza

Não há por que ‘senão’

Não há por que baliza

Se todos têm razão

Não há ninguém errado

Não necessita carta

Tampouco jogo e dado

Tripé de duas pernas

Não pode se firmar

Então minha razão

Não pode ultrapassar

Não pode invadir

Nem pode sufocar



(Sem Título)



Ninguém chega ao topo sozinho

Mesmo que não enxergue

Ou finja não ver

Ao longo do caminho



Ninguém chega ao topo sozinho

Mesmo que não enxergue

Diversidade de cores

E de bastidores



Ninguém chega ao topo sozinho

Mas cair todos podem

Se achar que o poder

O mantém no caminho



Ninguém chega ao topo sozinho

E nem lá se mantém

Sem ajuda de ninguém

E nem lá se mantém, sozinho



Procura-se poeta



Paga-se bem

Para carregar

caixas de livros

nas costas

tomar sol

em feiras e praças

sorrir e alegrar

a vida de

quem precisa

precisa-se

de poeta

que saiba rimar

amor com alegria

não reclame

do salário

não me deixe

solitário

e, se precisar

me ponha

pra dormir

com canção

de ninar



(Sem Título)



Tenho medo de teóricos

de gente de gabinete

tenho medo de pessoas

que vivem em gaiolas

nos mundo das ideias

tenho medo de teóricos

que não pisam na lama

que não saem da cama

que falam do que não vivem

e pregam caminhos

para quem não conhecem

tenho medo disso

das revoluções mentais

sem sal, sem açúcar

sem gosto de sangue

sem gosto de mangue

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Jornalista Shirley M. Cavalcante (SMC) entrevista escritor Valdeck Almeida de Jesus


Valdeck_Almeida_de_Jesus_Salvador 
VALDECK ALMEIDA DE JESUS (1966) é jornalista, funcionário público, editor, escritor e poeta. Embaixador da Divine Académie Française des Arts, Lettres et Culture, Embaixador Universal da Paz, Membro da Academia de Letras do Brasil, Academia de Letras de Jequié, Academia de Cultura da Bahia, Academia de Letras de Teófilo Otoni, Academia Nevense de Letras, Ciências e Artes – ANELCA, Poetas del Mundo, Fala Escritor, Confraria dos Artistas e Poetas pela Paz, União Brasileira de Escritores – UBE e União Baiana de Escritores – Ubesc. É presidente do Colegiado Setorial de Literatura da Bahia para o biênio 2013/2014, junto à Fundação Cultural do Estado da Bahia, entidade ligada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Diretor Geral da União Baiana de Escritores – UBESC para o biênio 2013/2014.
“Quando todos se unirem em prol de trabalhos conjuntos, de melhorar a produção e fruição, aí, sim, o mercado vai ser beneficiado. Mas enquanto cada um puxar para um lado, vamos ficar na ilusão de um dia conseguir alguma coisa.”
 Boa Leitura!

SMC – Escritor Valdeck Almeida de Jesus é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor, conte-nos o que o motivou a ter gosto pela escrita?
Valdeck de Jesus - O primeiro contato com literatura foi de forma oral. Minha mãe, apesar de analfabeta, era uma boa contadora de histórias. Toda noite eu e meus irmãos sentávamos ao redor de mamãe e ouvíamos os seus relatos fantásticos. O sono muitas vezes chegava antes do fim da contação das memórias dela. Mas no dia seguinte a gente pedia “mãe, conta aquela história do gato”, “conta aquela do sapo”… E ela, pacientemente, retomava cada relato e nos fazia sonhar. Eram bons momentos de aconchego e de contato com mundos fantásticos. Ao chegar à escola, já encantado com a existência de outras realidades, mergulhei na poesia que era vendida de sala em sala. Daí não parei mais.

SMC – Em que momento você se sentiu preparado para publicar o seu primeiro livro?
Valdeck de Jesus - O encantamento pela leitura me levou a ler tudo o que achava, de rótulo de shampoo a papeis que eu achava na rua, livretos, panfletos, tudo. Cheguei até a montar uma biblioteca particular em casa, com livros didáticos, revistas e todo tipo de impressos. A paixão por literatura me levou a ler boa parte do acervo da Biblioteca Municipal de Jequié, onde nasci. Alguns anos antes, numa fazenda onde morei uns seis anos, eu pegava escondido dezenas de revistas em quadrinhos da casa da sede, lia e depois devolvia, para pegar mais. Aos dezoito anos publiquei o primeiro poema em livro e fiquei sonhando em publicar uma obra só minha. Concretizei o sonho em 2004 com o livro “Heartache Poems’, com textos românticos traduzidos para o inglês. Daí então, minha carreira decolou.

SMC – Hoje você tem vários livros publicados de diferentes temas: romances, poemas, livros técnicos. Como foi surgindo estes diferentes gostos literários e o que o influenciou a ter esta diversificação de temas publicados?
Valdeck de Jesus - Eu sou uma pessoa que não acredita em limites, fronteiras ou rótulos. Sempre fui leitor de todo tipo de assunto, de psicologia a livros infantis, jornais de esquerda, revistas de direita, o que me encanta é a linguagem. Talvez devido a isso meus textos não obedecem a um roteiro, critério, não se encaixam muito em fórmulas. Vou escrevendo sem planejar onde chegar. O próprio texto se guia e o resultado quem vai dizer é quem lê, mas não me importo se são classificados como contos, romances, poemas, etc. Acho que a arte precisa fluir, sem limitações, sem horizontes pré-determinados.

SMC – Alguns de seus livros apresentam títulos que despertam curiosidades, podes falar um pouco sobre os títulos abaixo:

“Memorial do Inferno. A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden” – este livro resume a história de minha família, que passou fome, enfrentou miséria absoluta e venceu, graças à fé e à persistência de minha mãe, que nos guiou pelo caminho da honestidade e da busca pela vitória sem derrubar ninguém. É dirigido a pessoas de todas as idades, com linguagem simples e direta.

“Minha alma nua” – poemas que me desnudam, falam de meus sentimentos e de minha busca por um estabelecimento no mundo. Pessoas de qualquer idade podem ler.

“O MST e a Mídia. Uma análise do discurso sobre o Movimento dos Sem Terra na Mídia” – trabalho técnico, realizado juntamente com o jornalista Jobson Santana, em conclusão do curso de Comunicação Social. Foram analisadas reportagens de O Globo e A Tarde, edições online, sobre o Movimento dos Sem Terra. Dirigido a estudante de jornalismo, pesquisadores, professores de comunicação social e interessados no tema.

“Sim, sou gay. E daí? Desabafos do gay Alice no País das Maravilhas” – romance LGBT, narra a história de vida de um homossexual em busca do amor, e que se envolve em várias situações hilárias e outras perigosas. Para público adulto.

“Brasil e África: laços poéticos” – reunião de poemas de quatro autores: Valdeck Almeida (Brasil), Dye Kassembe e Walter “S” (Angola) e Eduardo Quive (Moçambique), cuja temática é social e crítica, em relação à nacionalidade de cada autor. Dirigido a público juvenil e adulto.

SMC – De forma geral qual a mensagem que você quer transmitir ao leitor através de seus textos literários?
Valdeck de Jesus - Eu costumo não dar conselhos, não ser direto nas sugestões. Geralmente minha opinião é colocada de forma explícita, mas sem convite a ser seguido. Os discursos estão na mesa, e cabe a cada um escolher o que apoiar e o que condenar. Mas não mostro caminhos, direções. Acho que cada pessoa tem uma rota, muitas vezes se cruzam com a minha, mas não necessariamente preciso de seguidores ou seguirei alguém. Minha posição é de lutar para vencer, de conquistar através do esforço e de respeitar os limites de cada um. Quem se identifica, vai lendo e reproduzindo.

SMC – Onde podemos comprar os seus livros?
Valdeck de Jesus - Meus livros podem ser adquiridos nos sites da Chiado Editora (Portugal), Livrarias Cultura e Saraiva, bem como Amazon, Google Books etc. Mas quem quiser pode entrar no meu site: www.galinhapulando.comonde tem links direto para alguns livros, ou pode tentar adquirir direto comigo, pelo e-mail poeta.baiano@gmail.com

SMC – Que dica você dá para as pessoas que estão iniciando carreira como escritor?
Valdeck de Jesus - Estudar muito, ler muito, fazer contato com vários tipos de escritores, não limitar a escrita e a leitura a um determinado gênero, experimentar, participar de eventos literários, saraus de poesia, lançamentos, simpósios, encontros etc, pois, quanto mais contato com fazedores de literatura, mais a gente consegue ir se lapidando, melhorando a produção. E precisa fazer autocrítica. Ninguém nasce pronto, é sempre bom se reciclar, fazer cursos de escrita, participar de oficinas de criação de textos etc.

SMC – Quais as melhorias que você citaria para o mercado literário no Brasil?
Valdeck de Jesus - Menos umbigo e mais amizade. Muitas vezes, em qualquer ramo de atividade, as pessoas se isolam, acham que sozinhas podem chegar ao seu destino. Eu acredito que nada é feito por uma única pessoa. Você pode até sentar e escrever um livro, mas as influências, as vivências, as experiências de vida sua e de outros, sempre estarão ali, de alguma forma. Tem pessoas que se acham deuses, iluminados, escolhidos, donos de inteligência suprema. Pura ilusão. Quando todos se unirem em prol de trabalhos conjuntos, de melhorar a produção e fruição, aí, sim, o mercado vai ser beneficiado. Mas enquanto cada um puxar para um lado, vamos ficar na ilusão de um dia conseguir alguma coisa.

SMC – Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos a sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor o Escritor Valdeck Almeida de Jesus, que mensagem você deixa para nossos leitores?
Valdeck de Jesus - Agradeço o convite, fico lisonjeado pela escolha de meu nome para figurar no rol de entrevistados e espero que o trabalho do site cresça e seja valorizado cada vez mais. Aos leitores, meu abraço e o desejo de que leiam, bastante, e que façam suas escolhas. O campo literário brasileiro é vastíssimo e tem livro pra todo mundo e para todos os gostos.

Participe do projeto Divulga Escritor
https://www.facebook.com/DivulgaEscritor

Fonte da entrevista: Conexão PB

sábado, 25 de janeiro de 2014

Todo africano nasce escritor




 Todo africano nasce escritor

Por Alexandre Staut

Para o escritor moçambicano Eduardo Quive, a escrita é um cordão umbilical, conforme ele diz. « À semelhança da maioria das crianças do meu país, não tive acesso à escrita e isso veio a agudizar-se pelo facto de estar fora da metrópole. Na verdade em Moçambique a cidade é um sonho. Nada há o que a torna realmente cidade. Tudo centra-se na palavra ‘capital’”, diz. Para encontrar bibliotecas, por exemplo, é preciso que se vá a Maputo, a cidade mais importante do país. Dessa forma, na infância passada no interior, a inspiração não veio dos livros, mas da noite e das crianças do seu bairro, que lhe contavam histórias de xitukulumukumbas (monstros). “Mas, efectivamente, quando tive o primeiro contacto com o livro gerou-me o susto que me custa a vida até hoje. Os contos de Suleiman Cassamo em O Regresso do Morto, os poemas de José Craveirinha em Karingana wa Karingana e Xigubo, bem como a rapsódica do tio Dinasse em Xikandarinha na Lenha do Mundo, de Calane da Silva tornaram-me naquele que já sabia que nos livros há outros meninos como eu, há sonhadores, imbecis também”, enumera.

Autor do livro de poesia Lágrimas da Vida Sorriso da Morte(2012), de Brasil e África: laços poéticos, escrito em coautoria com o brasileiro Valdeck Almeida de Jesus e dois escritores angolanos, Quive ainda participou de antologias na Itália e outros países lusófonos. Agitador cultural e criador de encontros e revistas literárias em seu país, lança no mês que vem um livro de entrevistas de escritores moçambicanos pela editora brasileira Kazuá, de São Paulo. Quive falou com o Études Lusophones, por email, sobre a literatura moçambicana, sobre seu processo criativo e literatura brasileira contemporânea. Leia a seguir:

Quais são os aspectos que mais chamam a atenção na literatura do seu país?
A literatura moçambicana tem o factor interessante de ser feita mais por natividade literária do que por gosto adquirido. O que quero dizer é que o escritor moçambicano tem a literacia dentro de si. Nós temos aqui escritores natos. É verdade que estes precisam de se cultivar. E há o factor curioso de haver este “conflito” dentro do autor entre a oralidade e a escrita. Muitas das nossas personagens literárias são fontes vivas, mesmo tratando-se de ficção. É como diz o escritor angolano Ondjaki, todo o africano nasce escritor, este continente está cheio de histórias/estórias, imagino que saiba, já pisou estas terras. O que me chama atenção é esse factor comum em quase todos os livros. A grande surpresa em mim, quando leio um autor moçambicano, não é a história em si, mas é notar que o que eu sei/vivo foi contado com alma e sangue. O grande tema recorrente, aliado a isso, são as guerras. Se se sai daí, entra-se directo para a sociedade e o tradicional. E também há o tema da esperança… Moçambique vive histórias bastante conturbadas, então isso é involuntário do próprio autor. Fazemos uma literatura engajada, ideológica e sanguínea. Uma literatura de causas para bem dizer.

E quando comparamos a literatura do seu país a outras de língua portuguesa?
Dentro do continente e se calhar porque todos os países de língua portuguesa africanos tem quase a mesma história, então quase a sensibilidade é a mesma. O que se difere é como os autores de diferentes países exercem essa literatura patriótica que também se pode converter em literatura política. Em Moçambique, nós temos bons escritores, mas há sempre aqueles que têm relação inflamada, não necessariamente com a pátria, mas com os rumos que toma. Sucedida a literatura do “amanhecer” ou do enaltecimento da nova república (famosa geração Charrua, criada a partir de 1982) em substituição da literatura de combate (literatura como forma de luta contra o jugo colonial), há um olhar mais crítico para a pátria actual. Quanto a Portugal e Brasil, vejo a nossa literatura mais próxima do Brasil. Como disse uma vez o professor-doutor Lourenço do Rosário, ainda há uma relação de colonizado e colonizador entre Moçambique e Portugal, embora, assuma-se os escritores moçambicanos tenham lido os clássicos portugueses. Mas é o Brasil que mais se faz sentir entre a nossa escrita e os escritores já vieram assumir isso. Eduardo White, tido como maior poeta vivo em Moçambique, já veio a declarar Carlos Drummond de Andrade como seu poeta. E podemos encontrar um pouco de Machado de Assis sobretudo na forma cómica que o escritor Aurélio Furdela tem tratado as suas acções fatídicas.



Quais temas, ainda não abordados, gostaria de ler nos livros dos autores moçambicanos?
É complicado responder esta pergunta. Hoje, nós temos no país escritores a desapegarem-se, cada vez mais abrem-se para o mundo, principalmente por parte dos poetas. Mas podia dizer que falta, por exemplo, que grandes reportagens sejam tratadas em livro. Ainda não estamos num país de total liberdade de criação isso porque se quer há como publicar esses livros. Falta, no entanto, libertar-nos dos curandeiros, feiticeiros, entre outros problemas que já foram muito bem explorados. E depois falta, principalmente na poesia, que se deixe de confundir sexo e sexualidade. Para mim, por exemplo, em literatura tem mais sentido que se explore a sexualidade que o próprio sexo. O sexo é óbvio e a sexualidade é uma descoberta. Entre outras coisas…

Mia Couto é muito conhecido fora de Moçambique. Mas e os outros autores? O que sugere como leitura a quem queira se iniciar na literatura do seu país, pensando-se na escrita contemporânea?
Mesmo no contexto dos autores dos anos 1980, há aqueles de quem as academias sempre passaram por cima. Agora que realmente tenho um contacto com professores de literaturas africanas no Brasil imagino as dificuldades de se obter livros moçambicanos sem que esses sejam editados no Brasil. Por isso ainda falaria de um nome antigo, mas que ainda não foi lido, ao meu entender, como merece, falo de Aldino Muianga (contista) e Amin Nordine (poeta). Mas, dos contemporâneos, se é que esse termo serve realmente para nós, sugiro Adelino Timóteo principalmente em livros comoA Virgem da BabilóniaNação Pária, e estes dois últimos livros Não Chora Carmen e Nós, os do Macurungo; tem também os contos de Lucílio Manjate, particularmente fascinou-me o seu romance Os Silêncios do Narrador e este último A Legítima Dor da Dona Sebastião, tem o Andes Chivangue em A Febre dos Deuses; o Midó das Dores em A Bíblia dos Pretos; pode-se ler a poesia de Tânia Tomé, Mbate Pedro, Léo Cote e Sangare Okapi, este último o que considero a verdadeira certeza da poesia moçambicana. Se fosse em altura própria podia dizer que se leia também o poeta Amosse Mucavele e Mauro Brito e interligando-os a outros três bons contistas Nélio Nhamposse (Matiangola), Japone Arijuane e Nelson Lineu. E temos uma boa poetisa a caminho, chamada Hirondina Joshua. Em fim, a grande dificuldade nisto tudo será conhecer estes escritores, porque certamente não será possível achá-los em grandes livrarias seja no Brasil, Angola e muito menos Portugal. Escolho estes nomes por encontrar neles o símbolo desse novo rumo da literatura moçambicana. Estes escritores demonstram que hoje, há novas leituras que feitas e que o país, fora Mia Couto, em curto espaço de tempo pode recolher prémios internacionais porque fazem uma literatura que ultrapassa o território moçambicano. Isso para mim é bom.

O que gostaria de falar sobre os seus personagens? Quais são os seus desejos?
Os meus personagens são engratos. Para comigo e para o leitor, certamente. E isso pode se calhar, notar-se na novela que espero publicar no próximo ano cujo título, caso não mude, será A Estranha Morte de João Barbosa Filho. O que acontece é que há respostas que eu próprio, na qualidade de seu criador não tenho sobre esses personagens e certamente, será uma tarefa especialmente para o leitor. Gosto de fazer esse jogo decifratório. Fazer com que eu próprio me sinta desconhecido das minhas criações. Mas acima de tudo penso que eu vaticino má vida aos personagens se calhar por questões de espaço em que vou encontrando o motivo para criá-los. Quanto ao meu desejo é sempre o de escrever, escrever sempre, e nunca escrever só por escrever. Escrever por causa e missão, nunca por tarefa.



E sobre os personagens da literatura moçambicana. O que os move?
Um dos maiores inventores de vidas ou de personagens, como queiramos, é o escritor Mia Couto, creio que não há muitas vozes contra isso. E os personagens de Mia Couto são gentes conhecidas, pessoas que convivem ao nosso lado ou nós mesmos. Acho incrível quando um escritor consegue, tão bem, tornar essas pessoas comuns em incomuns quando os encontramos nos livros de Mia. É um camponês normal que na escrita miacotiana conseguem ser verdadeiros profectas, pensadores e atiradores de provérbios. Podia falar de escritores como Luís Bernardo Honwana e Suleiman Cassamo que ninguém, até hoje, os conseguiu substituir nos seus livros Nós Matamos o Cão Tinhoso e O Regresso do Morto, respectivamente. Em Suleiman Cassamo em particular, encontramos “o povo pela sua própria boca” como ele já se referiu numa entrevista que o fiz. A diferença nesses dois últimos e Mia Couto é que enquanto o Luís Bernardo consegue fazer personagens consoante o aspectro colonial, Suleiman foi buscar a ruralidade dos moçambicanos e Mia trabalha com a sabedoria humana nos seus personagens o que os torna eternos. O Aldino Muianga e Carlos Paradona Rofino Roque são também pessoas que entram para a essência tradicional para buscar as vidas que retratam as suas obras. Mas há também personagens modernas na actual literatura, que já vão saíndo da ruralidade ou de aspectos sociopolíticos. Personagens como Yara da obra A Virgem da Babilónia de Adelino Timóteo, que por um lado nos parece irreal conseguem trazer um aspecto abstratista e poético muito forte. A missão desses novos personagens, como os que podemos encontrar no romance Os Silêncios do Narrador de Lucílio Manjate, é a de nos criar a viagem e emoções fora do aspecto habitual. Elas nos trazem um novo exercício que é o da constante tentativa de desenhá-las e depois fazer o reconhecimento. De um modo geral, penso eu, fora o próprio Mia Couto, pelas razões que já mencionei, ainda há um campo muito aberto para a criação de personagens. O grande problema, em que concordo com o professor Francisco Noa, é que temos bons contistas que se agoiram no romance, seduzidos pelo sucesso aludido (supostamente) e a grandeza que se dá a esse género, que acabam matando grandes histórias. Penso, outrossim, que a fertilidade do continente de alguma forma, vai empobrecendo os nossos escritores, não por culpa da fertilidade em termos de histórias para contar, mas pela infertilidade dos próprios escritores.



Poderia falar do seu trabalho como editor de revistas literárias?
Actualmente, dirijo a revista NÓS – Artes e Cultura, que se trata de um sonho antigo de fazer um jornal só e somente cultural num país em que a cultura está para 10º plano. Um país que a sua maior riqueza é a cultura, tratando-se desta que não trás conflitos, muito pelo contrário, muitas vezes usada como solução pacífica para vários conflitos. Então NÓS seria ou é esse espaço aberto para a multidisciplinaridade das artes. Mas a primeira revista que fundei mesmo foi a Literatas, nos finais de 2010. Eu já era jornalista e começava a entender que a cultura é meu sol, meu mar e minha terra. Na mesma altura em que o Movimento Literário Kuphaluxa estava no auge da sua criação mobilizei meus parceiros do movimento para que criássemos a revista e falei-lhes de uma coisa muito estranha ainda em Moçambique chamada “blogue”. Nessa altura, a ideia embora reconhecida como boa e inovadora, foi olhada com muita timidez e desdenho. Desdenhava-se essa coisa chamada “blogue”, dizendo-se que não seria encarada com seriedade e não se acreditava na utopia de jovens como nós tão pouco influentes em muitas esferas, que podiam criar o seu próprio espaço perante um cenário em que nenhum jornal tem espaço para as criações literárias. Confesso que desiludi-me com os companheiros. Mas a minha teimosia fez-me criar, mesmo assim o blogue e dei unilateralmente o nome à revista, chamando-a Literatas e criei também o blogue: revistaliteratas.blogspot.com. Os primeiros quatro meses eram penosos para a ideia, porque nenhum companheiro colaborava, mas eu fazia as reportagens, já que era jornalista. E tínhamos mais brasileiros dispostos a colaborar. Só mais tarde, depois desses primeiros quatro meses foi sendo entendida a ideia até que passamos a paginar a revista e enviar por e-mail. Aí era uma espécie de afirmação total. Com muitos que só criticavam sem se quer colaborar a ideia foi abraçada por muitos jovens hostilizados e outros que só precisavam de estar em um ambiente igual para publicar seus escritos. A Literatas teve uma sobrevivência já mais vista em revistas literárias em Moçambique, nas minhas mãos, ela foi até a edição 58. Tivemos incentivo por parte de escritores de todo o mundo, até professores e escritores norte-americanos ficaram encantados com a iniciativa e até hoje, são muitos os escritores que vem a Moçambique porque conheceram o país, literariamente, pela Literatas. Uma pena que o país em si, de certeza não dava a mesma importância e ouve aqueles que, inclusive, vaticinaram a revista à curta vida. O que veio a confirmar-se, isto porque até os que nunca deram muito por ela dentro do Movimento Kuphaluxa, foram percebendo o seu valor mais do que literário e quiseram usar-se disso para ganhos individuais. Hoje e pela primeira vez nesta entrevista, declaro a morte da Literatas – Revista de Literatura Moçambicana e Lusófona, um facto que nunca quis assumir, por uma questão de nostalgia e do facto de esse sonho, se calhar ter sido mais meu do que de muitos. E vou mais longe, sem querer exagerar no discurso (todos conseguem notar isso), bastou que eu abandonasse o projecto por “perseguição interna” para que o projecto não fosse para mais de uma edição. É uma pena para o nosso Kuphaluxa, que poderia ter dado mais duração à Literatas ou, pelo menos, uma morte digna a uma revista que, assuma-se, era a única referência actual que Moçambique tinha e usada em vários países como uma fonte segura para o ensino de literaturas africanas de língua portuguesa entre outras. Hoje sei que há alguns estudantes que tem a revista Literatas como tema de teses de licenciatura. E até hoje tenho recebido vários e-mails de gente querendo informações que só a revista Literatas sabia dar sem que as pessoas contactassem alguém. E agora neste projecto que movo a título individual pretendo trazer um espaço para a literatura e todas as artes moçambicanas.

Você também cria encontros e feiras literárias... Poderia se dizer que você é um agitador cultural, em Maputo?
No capítulo dos encontros e feiras literárias é-me difícil falar deles como realizações somente minhas. Posso até conceber ideias sozinho, mas a execução é bem mais exigente e complicada e só um movimento literário como Kuphaluxa dentro do País consegue fazer isso. Todos sabem que a Associação dos Escritores Moçambicanos já desfez-se desse papel há algum tempo, embora seja a entidade que tem mais facilidades de ter patrocínios para essas actividades. Nessa altura, lembro-me do que sempre falamos entre companheiros do Kuphaluxa, não é o dinheiro que impede muitas realizações, mas a incapacidade humana e organizativa. O Kuphaluxa sempre teve forças para fazer esses encontros com e entre escritores. Eventos com participações internacionais, com destaque para Brasil, Angola e Portugal. Já tivemos vários escritores que antes de chegar a Moçambique contactavam-nos para realizarmos consigo várias actividades. E eu coordenei muitas delas. Mas é como digo, o Kuphaluxa embora nos últimos tempos fragilizada, ainda tem a mesma força de organizar esses eventos. Tinha sido criada uma grande feira de livro em Maputo, durou por dois ou três anos, se não me engano, e tinha todas as condições para acontecer, com várias embaixadas e instituições públicas e privadas envolvidas. Mas não se manteve. Uma vez mais o grande problema não foi o dinheiro aquilo que para nós é sempre problema. Falta gente que faz esses eventos pela própria literatura que por dinheiro. Essa gente passa a vida reunida que no terreno a fazer trabalhos. E eu, embora formalmente conhecido como jornalista cultural, é lá em grandes e pequenas movimentações culturais onde me encontro. E sou realmente esse agitador cultural. E quero agitar mais. Para o próximo ano, seja com Kuphaluxa e por outras vias as ideias são várias e muitas delas serão realizadas.

E sobre a literatura brasileira contemporânea? O que tem te chamado a atenção?
Uma vez, um bom escritor paraibano, Bruno Gaudêncio, comentava comigo e outros escritores e activistas literários, pessoas que respeito muito e que nos reencontramos na Bienal do Livro do Ceará que marcou a minha primeira presença física no Brasil, que “Eduardo Quive é a pessoa que conhece mais a literatura contemporânea brasileira que nós os brasileiros”. Essa é uma afirmação exagerada, como muitas vezes sabem fazer homens com a arte a correr nas veias, mas em parte com um tom de verdade. Muitos moçambicanos sobre a literatura brasileira ainda estão nos anos 1950 a 1960. De 1980 para esta parte conta-se pelos dedos quem está informado aqui. Enganam-se os brasileiros que lhes chega no ouvido que o Brasil aqui é um país conhecido. Conhecemos sim, o lado das telenovelas da Globo que são muito assistidas e propaladas pelos canais nacionais e algum lado criminoso que é sempre difícil de esquecer. Mas a literatura em si, chega muito pouco, até porque isso não é para as massas. O que sei é que se mantêm a pujança na criatividade de escritores brasileiros. Faltam apenas escritores que conseguem invadir o mundo e estarem nas nossas livrarias. Isso vai acontecer quando as próprias editoras brasileiras vão ter a ousadia que as editoras portuguesas tiveram em estender-se para os países de língua portuguesa. Eu gosto da escrita da Ana Paula Maia, por exemplo. Temos bons textos do poeta Rubervam Du Nascimento, um poeta de voz grossa, gosto da poesia e principalmente dos contos de Ronaldo Cagiano; gosto das loucuras de Ademir Demarchi e Alberto Bresciani. Se calhar seja uma das pessoas que mais tem acesso a muitos escritores emergentes também que quase mensalmente vou recebendo seus livros. O próprio Bruno Gaudêncio para mim é um óptimo contista e Demetrios Galvão bom poeta. Há bons romancistas como Jasen Viana que conheci no Ceará. Mas acredito que de tão grande que é esse país, embora eu conheça escritores de quase todas as regiões, tenho fé que quando a acção cultural entre Moçambique e Brasil se elevar vamos poder ler e conhecer bons escritores. As experiências que tivemos de receber e levarmos para palestras escritores brasileiros, como Rubervam Du Nascimento, Ana Rusche, entre outros foram boas. Mostrou que há um público disposto a ler para além da fronteira.

Revista NÓS – Artes e Cultura : https://www.facebook.com/nosartese.cultura.7?fref=ts

(*) Alexandre Staut nasceu em Espírito Santo do Pinhal (SP) em 1973. Jornalista, já trabalhou como cozinheiro na Inglaterra e na França (em Brest, Tours e Arromanches-les-Bain). Ministrou oficinas de haikai na Oficina Cultural do Estado de São Paulo (Bauru/SP). É roteirista do documentário “O anjo da guarda de Caio F.” e autor dos romances Jazz band na sala da gente (Toada Edições/2010) e Um lugar para se perder (Dobra/2012). No momento, trabalha em seu terceiro romance, num livro infantil e numa peça de teatro que está sendo escrita para a atriz cubana Phedra de Córdoba. Alexandre Staut é colaborador do Blog Études Lusophones.


Consultem as outras entrevistas realizadas por Alexandre Staut na rubrica Entre Letras.
Link : Entre Letras

Leiam a respeito do romance de Alexandre Staut Um lugar para se perder no link :